quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Não, eu não entendo o niilismo



"A visão do homem agora cansa - o que é hoje o niilismo, se não isto?... Estamos cansados do homem..."
- Friedrich Nietzsche


Niilismo é visto como a evolução de uma pessoa. É basicamente uma doutrina filosófica, cética, pessimista, na qual se negam princípios. Vem de uma falta de convicção no ser humano, depois que suas crenças são destruídas. Vem da consciência do absurdo, do nada. Basicamente, o niilismo é o resultado do homem no homem.
O niilismo sempre me intrigou, acho que eu que nunca o entendi direito. Turgeniev (para quem nunca ouviu falar, boa sorte em pronunciar) escreveu uma vez que um niilista não se curva diante da sociedade, não aceita um princípio sem exame. Atualmente, não há coisa mais certa do que isso, correto? Afinal, o mundo causa cicatrizes em qualquer um. E essa, ao meu ver, é apenas uma forma de lidar com a situação de viver. É um desencantamento do mundo (corrijam-me se fiz uma analogia errada com essa frase).
O niilismo sempre me intrigou. Negar tudo é sempre mais fácil.
Particularmente, eu concordo com toda a ideia de que as convenções são absurdas, principalmente nos dias de hoje. Já cansei de gente. Já cansei de ouvir justificativas para crenças, palavras justificando atos, tudo tão vazio. É um momento em que você olha ao redor e enxerga hipocrisia em tudo. O mundo é cansativo. O mundo é repetitivo.
Mas aqui que eu sempre paro e admito que eu não conheço realmente o mundo. Não dá para simplesmente desistir.
Queira o que quiser, o humano vive em sociedade. Considerando massa, ações têm sim que se classificar como morais ou imorais. O sonho de todos é ver um sentido na vida, negar um mundo real visando um ideal não é possível. Há forças que regem o mundo que não podem ser ignoradas, em âmbito político ou religioso (não nego que a maioria é obsoleta e não me refiro a tais).
O que quero dizer é que o tal niilismo funciona para o indivíduo, não para a sociedade. E o ser humano está fadado a viver em sociedade. Sim, pode-se dizer que eu pouco entendo de niilismo então. Que se diga. Mas desistir do homem é uma visão egocêntrica. Enquanto houver bem, sempre valerá a pena não desistir. E sempre há bem no mal, assim como há mal no bem. É da natureza humana conviver com ambos, assim como é da natureza humana viver com outros. E desistir, meu amigo, é mais fácil para um, mas significa uma cabeça a menos em uma sociedade que precisa ser melhorada.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Fechando os Olhos

Fanatismo.
Antes de começar o post, queria deixar claro que esse não é um post sobre religião. A princípio pode parecer, mas garanto que não é. Prometi que eu sempre evitaria falar de três coisas: religião, política e futebol. O motivo é simples: algumas pessoas simplesmente não entendem que a crítica não é pessoal.
Acontece que, como já sabemos, principalmente vivendo no país que vivemos (e em época de campanhas políticas nem se fale), as promessas são difíceis de ser mantidas. E, bem, esse post não é especificamente sobre qual sua corrente política, sobre se sua religião tem fundamentos lógicos ou se seu time presta ou não. O foco aqui é o quanto você se irritaria se fosse.
Cheguei a um ponto em que tive que reagir a esse tal fanatismo. E, interpretando Rui Barbosa em "se a sociedade não pode igualar os que a natureza criou desiguais, cada um, , nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, atividade e perseverança", eis aqui a minha reação, com, vamos dizer (e digo na honestidade, desfazendo-me de humildade) educação muito maior do que a que me foi dada esses dias.
Ouvi algo de alguém que, não digo que me surpreendeu, mas me chocou pela ignorância. Ouvi algo sobre não andar com quem tem fé diferente de tal pessoa. Sobre não querer se misturar. Não falo exatamente o que foi dito, que diga-se de passagem foi ao mínimo desnecessário, para não dizer desrespeitoso e preconceituoso.
Um segundo.
Sim, espere um segundo.
Estamos no século XXI. Homens e mulheres têm direitos iguais, há tempos passamos do tempo da escravidão, o casamento gay foi legalizado. Estamos em uma época relativamente distante da inquisição. Nunca, jamais, em qualquer circunstância (e ressaltaria mais se possível) eu pensei que ouviria tal comentário. E de uma pessoa teoricamente inteligente.
Ser de outra religião não te torna doente ( e em primeiro lugar não teríamos evoluído se pensássemos todos da mesma maneira). E ficar perto de gente diferente não infectará sua fé. 
Fanatismo é a maior prova de que o ser humano não é tão evoluído quanto pensa. A partir do momento em que os olhos são fechados, a razão é perdida. Não é bom pensar que só sua fé existe nesse mundo. Não é a sua fé que define se você é bom ou ruim. E o pior, não use a parte pelo todo. É comum pensar tal coisa de tal religião.
Em outras palavras, não estamos em tempo de julgar. Não são todos ruins (não são todos bons, admito), mas geralmente faz bem. E se faz bem, porque ter tal preconceito?

Tashi Delek / Salaam Aleikum / Fiquem com Deus / Almejem a melhor virtude do Tao / Que a força esteja com você / Qualquer desejo bom de qualquer religião que você tenha
(Acredite, nada ruim acontecerá só porque alguém diferente te desejou algo bom)