domingo, 31 de janeiro de 2016

Tag ou Pseudotag: Perfil Literário, 10 Perguntas Literárias e Confissões de uma Viciada em Livros

Confesso que nunca gostei muito de tags ou de quem as fazia; sempre me pareceu pouco original. Mas - e eu ainda acho que é a vida rindo da ironia ou da minha cara - eu encontrei algumas tags na internet irresistíveis, e eu decidi fazê-las em um post literário (ah, livros sempre me levando a fazer coisas que eu não faria). As perguntas não são as originais em sua maioria; misturei o que achei por aí. De qualquer maneira, provavelmente vou me arrepender em um futuro bem próximo, então, vamos logo com isso - eis as perguntas e respostas (ficou comprido mas vai, vale a pena):

Livro impresso ou e-book?

Livros impressos, sem dúvidas - eles dão aquele sentimento legítimo. Mas sem julgamentos a quem prefere e-books.

Qual o livro que você mais leu?

"O Menino do Dedo Verde", de Maurice Druon. Em cada fase da minha vida, o Tistu (personagem principal) me ensina alguma coisa diferente. É um livro sensacional, que me arrepia até hoje.

Qual livro favorito no momento?

Eu li, há um tempo, em "As Vantagens de Ser Invisível", que o livro favorito do Charlie (personagem principal) era sempre o último que ele lera. Eu fiquei pensando um tempo e me relacionei totalmente com isso (foi um momento mágico, mas isso a gente não escreve para não parecer estranha). O meu livro favorito é o último que eu li; quando eu acabo um livro sempre fica uma sensação de parceria, é estranho. Atualmente, o livro é sensacional (sendo imparcial, e não porque foi o último que eu li). "Cem anos de solidão" do Gabriel Garcia Marquez me deixou em um estado catatônico por mais tempo do que eu gostaria de admitir. Nossa, Garcia Marquez, seu lindo, o que foi aquilo? Não vou falar muito para não dar spoiler algum, mas o livro muda a visão que você tem da vida.

Qual o estilo literário que você menos gosta?

Romance. Não sei, acho meio repetitivo. Lembrando que é o estilo que eu menos gosto, não que eu odeio; não consigo resistir aos livros da Jane Austen (oi, "Orgulho e Preconceito") e alguns outros, não consigo me salvar do modo "awn" em que eu entro quando leio alguns. Mas sinceramente, a maioria dos livros estilo romance cansa e é meio repetitiva (me julguem), além de não adicionar coisa alguma para sua formação como indivíduo.

Qual sua saga/trilogia favorita?

Tenho duas, e juro que não consegui decidir qual das duas prefiro.
A primeira é sempre especial, e eu nunca ia conseguir deixar  a saga "Harry Potter" passar. É um dos amores mais velhos que eu tenho (ainda lembro de como era esperar que os próximos livros fossem lançados) e que eu ainda não consegui superar (não que eu realmente tente superar).
A segunda é uma trilogia, chamada "O Século", do Ken Follet. O último livro deixou um pouquinho a desejar, mas eu realmente culpo o tradutor (oi, gramática) - li a versão em inglês e a emoção voltou. A trilogia fala sobre cinco famílias, de classes e nacionalidades diferentes, que passam pelos principais eventos do século XX (Primeira, Segunda Guerra e Guerra Fria são os temas centrais de cada um dos livros, respectivamente). Os livros são daqueles que grudam os olhos e, apesar dos tamanhos gigantescos, li em poucos dias.

Qual livro você demorou mais para ler?

Novamente, não consegui escapar de duas respostas. Mas são casos diferentes, eu juro. Um, eu demorei mais para ler porque sua narrativa era mais complicada para mim, "Viagens na Minha Terra", do Almeida Garret (é leitura obrigatória para alguns vestibulares, desejo sorte a todos). Outro, eu simplesmente fui começando a ler outros livros no meio (tenho a mania de ler vários ao mesmo tempo) e acabou que demorei muito para terminar "O Fazedor de Velhos", do Rodrigo Lacerda.

Qual o livro mais antigo da sua estante?

Falo novamente do "Menino do Dedo Verde", talvez um dos motivos pelos quais li tanto. Quando eu tinha uns cinco anos, pedi um livro "de verdade" para minha mãe, que me deu o livro do Tistu e leu comigo e para mim um capítulo por noite. Depois disso, me apaixonei pelo livro, aprendi a ler e o resto é história.

Qual o próximo livro que você pretende comprar?

"O Velho e o Mar", do Hemingway.

Qual o último livro que você comprou?

"Crime e Castigo", Dostoiévski.

Qual livro você levaria para uma ilha deserta?

"Livro do Desassossego", do Fernando Pessoa.

Qual livro você está lendo?

"Guerra e Paz", Liev Tolstói (estilo maravilhoso, leia, sem mais).

De qual livro, se pudesse, você proibiria a leitura?

Sou contra a proibição de leituras (sério, acho um absurdo).

Qual a capa mais bonita da sua estante?

A capa do meu exemplar de "O Retrato de Dorian Gray" ("The Picture of Dorian Gray", Oscar Wilde, Editora Barnes & Noble). A foto, e sem mais.

Um livro que fez você mudar o seu jeito de ver o mundo:

"O Clube do Livro do Fim da Vida", Will Schwalbe.

Se pudesse trazer um personagem fictício à realidade, qual seria?

Theo, de "A Viagem de Theo", Catherine Clément (grande amor pelo Theo).

Se pudesse entrevistar um autor, qual seria?

Machado de Assis, afinal, quem não quer falar sobre a Capitu?
Na verdade, sou aficionada por "Mémórias Póstumas de Brás Cubas", e queria falar sobre estilística mesmo.

Um casal: Elizabeth Bennet e Mr. Darcy ("Orgulho e Preconceito", Jane Austen), Maud Fitzherbert e Walter Von Ulrich ("Queda de Gigantes" e "Inverno do Mundo", Ken Follet).

Dois vilões: Big Brother, que não é bem um vilão, mais um antagonista, ("1984", George Orwell) e Dom Corleone, que também não é um vilão, muito menos antagonista, ("O Poderoso Chefão", Mario Puzo).

Um escritor que você acha subestimado: Hemingway (desculpe, entendidos de literatura).

Se pudesse, mataria ou tiraria qual personagem de qual livro? Não faria (para onde iria meu ódio?).

Se pudesse viver em um livro, qual seria? "O Mundo de Sophia", de Jostein Gaarder (com uma pontada de dor por deixar Hogwarts ir embora).


Te convenci a ler qualquer um desses? (fingers crossed).







quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Não, eu não entendo o niilismo



"A visão do homem agora cansa - o que é hoje o niilismo, se não isto?... Estamos cansados do homem..."
- Friedrich Nietzsche


Niilismo é visto como a evolução de uma pessoa. É basicamente uma doutrina filosófica, cética, pessimista, na qual se negam princípios. Vem de uma falta de convicção no ser humano, depois que suas crenças são destruídas. Vem da consciência do absurdo, do nada. Basicamente, o niilismo é o resultado do homem no homem.
O niilismo sempre me intrigou, acho que eu que nunca o entendi direito. Turgeniev (para quem nunca ouviu falar, boa sorte em pronunciar) escreveu uma vez que um niilista não se curva diante da sociedade, não aceita um princípio sem exame. Atualmente, não há coisa mais certa do que isso, correto? Afinal, o mundo causa cicatrizes em qualquer um. E essa, ao meu ver, é apenas uma forma de lidar com a situação de viver. É um desencantamento do mundo (corrijam-me se fiz uma analogia errada com essa frase).
O niilismo sempre me intrigou. Negar tudo é sempre mais fácil.
Particularmente, eu concordo com toda a ideia de que as convenções são absurdas, principalmente nos dias de hoje. Já cansei de gente. Já cansei de ouvir justificativas para crenças, palavras justificando atos, tudo tão vazio. É um momento em que você olha ao redor e enxerga hipocrisia em tudo. O mundo é cansativo. O mundo é repetitivo.
Mas aqui que eu sempre paro e admito que eu não conheço realmente o mundo. Não dá para simplesmente desistir.
Queira o que quiser, o humano vive em sociedade. Considerando massa, ações têm sim que se classificar como morais ou imorais. O sonho de todos é ver um sentido na vida, negar um mundo real visando um ideal não é possível. Há forças que regem o mundo que não podem ser ignoradas, em âmbito político ou religioso (não nego que a maioria é obsoleta e não me refiro a tais).
O que quero dizer é que o tal niilismo funciona para o indivíduo, não para a sociedade. E o ser humano está fadado a viver em sociedade. Sim, pode-se dizer que eu pouco entendo de niilismo então. Que se diga. Mas desistir do homem é uma visão egocêntrica. Enquanto houver bem, sempre valerá a pena não desistir. E sempre há bem no mal, assim como há mal no bem. É da natureza humana conviver com ambos, assim como é da natureza humana viver com outros. E desistir, meu amigo, é mais fácil para um, mas significa uma cabeça a menos em uma sociedade que precisa ser melhorada.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Fechando os Olhos

Fanatismo.
Antes de começar o post, queria deixar claro que esse não é um post sobre religião. A princípio pode parecer, mas garanto que não é. Prometi que eu sempre evitaria falar de três coisas: religião, política e futebol. O motivo é simples: algumas pessoas simplesmente não entendem que a crítica não é pessoal.
Acontece que, como já sabemos, principalmente vivendo no país que vivemos (e em época de campanhas políticas nem se fale), as promessas são difíceis de ser mantidas. E, bem, esse post não é especificamente sobre qual sua corrente política, sobre se sua religião tem fundamentos lógicos ou se seu time presta ou não. O foco aqui é o quanto você se irritaria se fosse.
Cheguei a um ponto em que tive que reagir a esse tal fanatismo. E, interpretando Rui Barbosa em "se a sociedade não pode igualar os que a natureza criou desiguais, cada um, , nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, atividade e perseverança", eis aqui a minha reação, com, vamos dizer (e digo na honestidade, desfazendo-me de humildade) educação muito maior do que a que me foi dada esses dias.
Ouvi algo de alguém que, não digo que me surpreendeu, mas me chocou pela ignorância. Ouvi algo sobre não andar com quem tem fé diferente de tal pessoa. Sobre não querer se misturar. Não falo exatamente o que foi dito, que diga-se de passagem foi ao mínimo desnecessário, para não dizer desrespeitoso e preconceituoso.
Um segundo.
Sim, espere um segundo.
Estamos no século XXI. Homens e mulheres têm direitos iguais, há tempos passamos do tempo da escravidão, o casamento gay foi legalizado. Estamos em uma época relativamente distante da inquisição. Nunca, jamais, em qualquer circunstância (e ressaltaria mais se possível) eu pensei que ouviria tal comentário. E de uma pessoa teoricamente inteligente.
Ser de outra religião não te torna doente ( e em primeiro lugar não teríamos evoluído se pensássemos todos da mesma maneira). E ficar perto de gente diferente não infectará sua fé. 
Fanatismo é a maior prova de que o ser humano não é tão evoluído quanto pensa. A partir do momento em que os olhos são fechados, a razão é perdida. Não é bom pensar que só sua fé existe nesse mundo. Não é a sua fé que define se você é bom ou ruim. E o pior, não use a parte pelo todo. É comum pensar tal coisa de tal religião.
Em outras palavras, não estamos em tempo de julgar. Não são todos ruins (não são todos bons, admito), mas geralmente faz bem. E se faz bem, porque ter tal preconceito?

Tashi Delek / Salaam Aleikum / Fiquem com Deus / Almejem a melhor virtude do Tao / Que a força esteja com você / Qualquer desejo bom de qualquer religião que você tenha
(Acredite, nada ruim acontecerá só porque alguém diferente te desejou algo bom)